Clínica Geral

Microbiota intestinal e manejo clínico da diarreia

Quais são os mecanismos e o papel do Bacillus clausii na prática médica?

Por Mantecorp Saúde

26/03/2026 - Última atualização: 26/03/2026

Imagem da notícia Microbiota intestinal e manejo clínico da diarreia

O microbioma intestinal constitui um ecossistema altamente complexo composto por bactérias, vírus (incluindo bacteriófagos), fungos, arqueias e outros eucariotos, com estimativa de dezenas a centenas de trilhões de microrganismos no trato gastrointestinal humano.[1] A composição do microbioma intestinal é moldada desde o nascimento e continuamente remodelada, sendo afetada por inúmeros fatores, como dieta, via de parto, ambiente, alimentação, idade e exposição a antibióticos, entre outros.[1]

Na infância, o microbioma está em fase de estabelecimento e maturação, tornando-se mais suscetível a perturbações. Sabe-se que a microbiota desempenha um papel central na saúde humana, com papel importante na manutenção da integridade/função de barreira do epitélio intestinal, digestão, metabolismo, interação com o sistema nervoso central (eixo cérebro-intestino-microbiota) e síntese de diversas substâncias, como ácidos graxos de cadeia curta. Além disso, ajuda a combater infecções e inflamações interagindo e modulando nosso sistema imunológico.[1] 

Entre as condições relacionadas ao desequilíbrio do microbioma, destaca-se a diarreia aguda, definida pela organização mundial de saúde como três ou mais evacuações com fezes pastosas a líquidas em 24 horas.[2] A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade entre crianças menores de 5 anos, sendo responsável por cerca de 445 mil mortes por ano nessa faixa etária.[3] 

A restauração do microbioma para um estado saudável pré-disbiose pode ser feita através da remoção do fator desencadeante (por exemplo, antibiótico) e/ou ocorrer por meio de abordagens terapêuticas específicas, como suplementação pré e probiótica.[1] Probióticos são definidos como "microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde do hospedeiro".[4]  

Bacillus clausii é um dos probióticos mais estudados para tratamento das diarreias agudas. Bacillus clausii é uma bactéria gram positiva, formadora de esporos, característica que confere vantagens farmacotécnicas e biológicas: resistência ao pH gástrico, maior estabilidade durante armazenamento e potencial de sobreviver ao trânsito gastrointestinal até o intestino. Essa resistência à passagem gástrica e a capacidade de germinação em condições intestinais sustentam a plausibilidade de viabilidade ao sítio de ação.[5] 

 

Referências bibliográficas: 1. Bidell M, Hobbs A, Lodise T. Gut microbiome health and dysbiosis: A clinical primer. Pharmacotherapy. 2022;42(11):849-857. 2. World Health Organization. Diarrhoeal disease. Disponível em: <https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diarrhoeal-disease>. Acesso em 17 jan. 2026. 3. Tag Z, Alashwal H, Chemaitelly H, et al. Global childhood diarrhoea prevalence and its determinants: a systematic meta-analytic assessment, 1985-2024. EBioMedicine. 2025;121:105956. 4. Food and Agricultural Organization of the United Nations and World Health Organization. Health and nutritional properties of probiotics in food including powder milk with live lactic acid bacteria. World Health Organization [online], 2001. 5. Acosta-Rodríguez-Bueno C, Abreu A, Guarner F, et al. Bacillus clausii for Gastrointestinal Disorders: A Narrative Literature Review. Adv Ther. 2022;39(11):4854-4874. 

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