Clínica Geral

Saiba como a adesão ao tratamento de diabetes pode salvar vidas

Diabetes é uma doença crônica, mas com tratamento e acompanhamento é possível levar uma vida equilibrada e saudável

Por Mantecorp Saúde

21/08/2026 - Última atualização: 21/08/2026

Imagem da notícia Saiba como a adesão ao tratamento de diabetes pode salvar vidas

Atualmente, cerca de 13 milhões de brasileiros convivem com o diabetes. E falamos convivem porque essa é uma doença crônica, mas quando há adesão ao tratamento do diabetes, cuidados com a alimentação e mudança de hábitos, há qualidade de vida1.

Existem dois tipos principais da doença: diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2. Embora tenham causas diferentes, ambos têm relação direta com a insulina, hormônio responsável por ajudar o organismo a transformar a glicose (açúcar) em energia1.

Quando esse processo não acontece como de costume, a glicose se acumula no sangue, aumentando a glicemia, que é a taxa de açúcar no sangue, circulando pelo organismo1.

Seja qual for o diabetes, tipo 1 ou 2, é necessário cuidado contínuo, pois a glicemia elevada pode levar a sérias complicações e até ao risco de vida1.

A boa notícia é que a medicina segue avançando e, com tratamento adequado e cuidados simples no dia a dia, é possível manter a qualidade de vida e o bem-estar.

O que envolve a adesão ao tratamento do diabetes?

O tratamento do diabetes deve fazer parte da rotina e envolve diferentes frentes que trabalham juntas para manter a glicose sob controle. Entre elas estão a alimentação equilibrada, a prática de atividade física, o acompanhamento médico e, quando necessário, o uso de medicamentos ou insulina2,3.

Por isso, o tratamento não significa apenas tomar os remédios prescritos pelo seu médico. Sim, isso é de extrema importância quando há indicação, mas há outros pontos que merecem atenção.

Alimentação faz parte do tratamento

Quando falamos de alimentação para quem tem diabetes, logo pensamos em cortar o açúcar branco, aquele adicionado a bolo e ao seu cafezinho. É importante controlar o consumo desse ingrediente2,3, mas há outros alimentos que viram açúcar no organismo e merecem atenção4.

Pães, massas e bolos de farinha branca, arroz, biscoito são exemplos de alimentos com carboidratos refinados e altamente processados. Diferente dos alimentos ricos em fibras, eles causam maior impacto na glicose no sangue. Diante disso, consumo desses itens deve ser reduzido4.

Manter a adesão ao tratamento do diabetes significa prezar por uma alimentação mais natural, rica em legumes e verduras, além de grãos e cereais integrais. Eles contam com pouco carboidrato e alto teor de fibras e outros bons nutrientes e, com isso, têm um impacto menor na glicemia4.

Atividade física também tem seu papel

A atividade física, por sua vez, também tem sua contribuição quando o assunto é controle da glicose2,3.

Muitas vezes, o diabetes anda lado a lado com o excesso de peso1. E aí a dupla alimentação + atividade física regular tem papel de ajudar ainda a mover os ponteiros da balança.

Se tiver liberação do seu médico, deixe o sedentarismo de lado e bora praticar um exercício! Fará bem para seu corpo e sua mente e para o tratamento do diabetes2,3,5.

Medicamento e acompanhamento médico

Já os medicamentos e a insulina podem fazer parte do tratamento para ajudar a manter a glicemia dentro das metas recomendadas, sempre com orientação e acompanhamento médico2,3.

Monitoramento da glicose

Pensar na adesão ao tratamento do diabetes significa ainda ficar de olho nos níveis de glicose. A tecnologia é uma amiga nesse ponto.

Por meio de sensores que acompanham a glicemia ao longo do dia e da noite, há dispositivos que fornecem informações em tempo real sobre oscilações das taxas de glicose, períodos de alta ou baixa e tendências que podem passar despercebidas em medições pontuais2,3.

Essa tecnologia pode contribuir para um melhor controle glicêmico e reduzir episódios de hipoglicemia, condição que ocorre quando os níveis de glicose ficam abaixo do recomendado2,3.

Além disso, os dados coletados ajudam pacientes e profissionais de saúde a tomar decisões mais precisas sobre alimentação, atividade física e uso de medicamentos, contribuindo para reduzir o risco de complicações ao longo do tempo1-3.

O que muda no tratamento do diabetes tipo 1 e tipo 2?

Mulher faz teste de glicemia em casa com lancetador e medidor, ilustrando o monitoramento no tratamento do diabetes tipo 1 e tipo 2.

 

Os cuidados com a alimentação e a prática regular de exercícios valem para ambos os tipos de diabetes. Já os caminhos em relação aos medicamentos traçados pelo seu médico variam2,3.

Tratamento para diabetes tipo 1

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune. Isso significa que ele surge quando o sistema imunológico passa a atacar, por engano, as células responsáveis pela produção de insulina. Como consequência, o organismo passa a produzir pouca ou nenhuma quantidade desse hormônio2.

Por esse motivo, a reposição de insulina é a base do tratamento do diabetes tipo 1. Ela pode ser feita por meio de aplicações diárias ou de dispositivos específicos, sempre com orientação médica2.

Hábitos saudáveis também ajudam a manter os níveis de glicose dentro das metas recomendadas, mas não substituem a necessidade de usar insulina2.

Embora seja mais comum na infância e na adolescência, esse tipo de diabetes pode surgir em qualquer fase da vida1,2.

Tratamento para diabetes tipo 2

Já o diabetes tipo 2 é a forma mais comum da doença, representando cerca de 90% dos casos de diabetes no Brasil. Ele ocorre quando o organismo passa a ter dificuldade para utilizar a insulina da forma adequada, um quadro conhecido como resistência à insulina1.

Essa condição está frequentemente associada a fatores como excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada e histórico familiar. Além disso, é uma doença muitas vezes vista em pessoas com mais de 40 anos1,3,6.

Por causa dessa relação com outros aspectos da saúde, a equipe médica costuma avaliar diferentes fatores antes de definir o tratamento mais adequado. Além dos níveis de glicose, podem ser considerados o peso corporal, a saúde dos rins e o risco de doenças cardiovasculares3.

De modo geral, o controle do peso costuma ser uma das principais frentes de cuidado no tratamento do diabetes tipo 2. Isso porque o sobrepeso e a obesidade estão associados a uma maior dificuldade para manter a glicose sob controle e a um risco mais elevado de complicações3.

Além das mudanças no estilo de vida, muitas pessoas podem precisar de medicamentos para ajudar no tratamento. Dependendo das características de cada paciente, o médico pode recomendar medicamentos orais, injetáveis ou até mesmo o uso de insulina3.

Aqui, se houver indicação do médico, podem entrar as famosas canetas emagrecedoras. Elas utilizam medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, como a semaglutida, que atuam no controle da glicemia, na redução do apetite e no aumento da sensação de saciedade. Com isso, podem ser aliadas no tratamento do diabetes e na perda de peso3.

Em resumo, quando colocamos, lado a lado, o diabetes tipo 1 e o tipo 2, temos o seguinte cenário:

  Diabetes tipo 1 Diabetes tipo 2
O que é Doença autoimune: o sistema imunológico ataca as células que produzem insulina, e o corpo passa a produzir pouca ou nenhuma2 Forma mais comum, cerca de 90% dos casos no Brasil; o organismo tem dificuldade de lidar com a insulina1,3
Base do tratamento Reposição de insulina, por aplicações diárias ou dispositivos específicos2 Mudanças no estilo de vida e, conforme o caso, medicamentos orais, injetáveis ou insulina3
Fatores associados Mais comum na infância e adolescência, mas pode surgir em qualquer idade1 Excesso de peso, sedentarismo, alimentação inadequada, histórico familiar e envelhecimento1,3,6
Hábitos saudáveis Ajudam a manter a glicose nas metas, mas não substituem a insulina2 Controle de peso é uma das principais frentes de cuidado3

 

Quais os riscos de não tratar o diabetes

Não seguir o tratamento do diabetes significa colocar a saúde em risco. Quando os níveis de glicose voltam ao normal, isso não significa que a doença foi curada, mas, sim, que está sendo controlada6.

Por isso, interromper medicamentos, abandonar hábitos saudáveis ou deixar de realizar o acompanhamento médico por conta própria pode fazer com que a glicose volte a subir, aumentando o risco de complicações, como as listadas a seguir.

Complicações nos olhos e risco de cegueira

O excesso de glicose no sangue pode danificar os pequenos vasos sanguíneos da retina. Com o passar do tempo, esse quadro pode levar à retinopatia diabética, uma das principais causas de perda de visão em adultos6.

O acompanhamento oftalmológico regular ajuda a identificar alterações precocemente e reduzir o risco de complicações desse tipo6.

Alteração no funcionamento correto dos rins

Os rins atuam como filtros do organismo, removendo substâncias que devem ser eliminadas pela urina. Quando a glicemia permanece elevada por muito tempo, os vasos sanguíneos desses órgãos podem ser danificados, comprometendo sua capacidade de filtração. Em casos mais avançados, a doença pode evoluir para insuficiência renal6.

Neuropatia diabética (perda de sensibilidade)

A neuropatia diabética ocorre quando os níveis elevados de glicose provocam lesões nos nervos. Entre os sintomas mais comuns estão: formigamento, queimação, dor ou perda de sensibilidade, especialmente nos pés e nas pernas6.

Essa redução da sensibilidade pode dificultar a percepção de ferimentos e aumentar o risco de complicações6.

Problemas cardíacos

Pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, infarto e acidente vascular cerebral (AVC)6.

Além disso, algumas alterações nos nervos podem fazer com que os sinais clássicos de um infarto sejam menos perceptíveis, caracterizando o chamado infarto silencioso3.

Feridas nos pés e risco de infecções

A combinação entre perda de sensibilidade e alterações na circulação sanguínea aumenta o risco de feridas nos pés6.

Como muitas lesões podem passar despercebidas, elas podem evoluir para infecções de difícil cicatrização. Em situações graves, isso pode levar à necessidade de procedimentos mais complexos, incluindo amputações1,6.

O que pode dificultar a adesão ao tratamento do diabetes?

Estudos mostram que fatores sociais, econômicos, clínicos e emocionais podem influenciar a adesão ao tratamento do diabetes7.

Entre as dificuldades mais comuns estão a falta de tempo para praticar atividade física, o cansaço, o desânimo e a dificuldade de modificar hábitos consolidados ao longo da vida6.

Outro desafio é que o diabetes nem sempre causa sintomas perceptíveis quando a glicose está fora das metas. Como muitas complicações se desenvolvem de forma lenta e silenciosa, algumas pessoas podem ter a impressão de que o tratamento não é tão necessário quando se sentem bem1,2,6.

Para quem usa insulina, ter que medir a glicose o tempo todo, tomar várias injeções e lidar com as crises de hipoglicemia pode ser muito desgastante e causar ansiedade2.

E agora, como melhorar a adesão ao tratamento sem transformar o cuidado em culpa?

Mulher sorridente em restaurante ao ar livre segurando o celular próximo ao seu dispositivo para infusão de insulina.

 

Algumas estratégias podem ajudar a tornar o tratamento do diabetes tipo 1 ou tipo 2 mais fácil de seguir no dia a dia. Também é importante estabelecer metas realistas e graduais. Em vez de tentar mudar tudo de uma vez, pequenas mudanças costumam ser mais fáceis de manter ao longo do tempo, por exemplo:

  • Na alimentação: em vez de eliminar todos os alimentos considerados "menos saudáveis" de uma só vez, pode ser mais viável começar reduzindo o consumo de refrigerantes e aumentando a presença de legumes e verduras nas refeições. Converse com seu médico sobre quais mudanças na dieta devem ser a primeiras e como manter a boa alimentação ao longo do tempo4.
  • Na atividade física: quem é sedentário não precisa começar com treinos intensos. Caminhadas curtas ou outras atividades leves já podem ser um primeiro passo para criar uma rotina mais ativa5.
  • No uso de medicamentos: criar lembretes no celular ou associar a medicação a um hábito diário, como uma refeição, pode ajudar a reduzir esquecimentos.

 

O apoio da família, dos amigos e dos profissionais de saúde também faz diferença. Tudo isso pode ajudar a superar obstáculos, esclarecer dúvidas e tornar o tratamento menos solitário2,3.

Para quem tem receio de injeções ou dificuldades relacionadas ao uso da insulina, vale conversar com a equipe médica. Hoje existem diferentes dispositivos e opções terapêuticas que podem tornar o tratamento mais confortável2.

Lembre-se ainda da tecnologia. Está cada vez mais simples monitorar seus níveis de glicose, como já citamos2,3.

O objetivo não é buscar a perfeição nem promover mudanças radicais da noite para o dia. O mais importante é construir hábitos que possam ser mantidos ao longo do tempo, contribuindo para o controle da glicemia, a redução do risco de complicações e uma melhor qualidade de vida e adesão ao tratamento do diabetes1,3,5.

Dúvidas comuns sobre adesão ao tratamento de diabetes

Entender o tratamento e os riscos de abandoná-lo são passos importantes para conviver com o diabetes. Veja respostas para algumas dúvidas frequentes sobre o controle da doença.

O que acontece se não tratar diabetes?

Sem tratamento adequado, a glicose elevada pode causar danos progressivos aos olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos, aumentando o risco de complicações graves ao longo do tempo1,2,3,6.

Posso parar o tratamento quando a glicose melhora?

Não. A melhora da glicemia geralmente indica que o tratamento está funcionando, e interrompê-lo sem orientação médica pode fazer com que os níveis de glicose voltam a subir1,3.

Diabetes tipo 1 e tipo 2 têm o mesmo tratamento?

Não. O diabetes tipo 1 exige reposição de insulina, enquanto o diabetes tipo 2 costuma envolver mudanças no estilo de vida e pode incluir diferentes tipos de medicamentos e, em alguns casos, insulina2,3.

Mudança de estilo de vida substitui medicamento?

Nem sempre. Alimentação equilibrada e atividade física são fundamentais para o controle do diabetes, mas muitas pessoas também precisam de medicamentos ou insulina para atingir as metas de glicemia3.

O que fazer quando é difícil seguir o tratamento?

Converse com a equipe de saúde sobre as dificuldades encontradas, como esquecimentos, medo de injeções ou dificuldade para mudar hábitos. Estratégias como metas graduais e apoio de familiares podem ajudar a melhorar a adesão ao tratamento7.

Importante: as informações apresentadas neste artigo têm finalidade educativa e não substituem a orientação de profissionais de saúde. Diabetes é uma doença crônica e necessita acompanhamento contínuo.

1. Brasil. Ministério da Saúde. Diabetes (diabetes mellitus). Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/diabetes. Acesso em: 19 jun. 2026.

2. Almeida AMRM, Santos BL, Delmaschio CR, et al. (2024). Diabetes Mellitus Tipo 1 – uma revisão de literatura. Brazilian Journal of Health and Biological Science, 1(1):1-18. Disponível em: https://bjhbs.com.br/index.php/bjhbs/article/view/29. Acesso em: 19 jun. 2026.

3. Lyra R, Valente F, Albuquerque L, et al. (2025). Manejo da terapia antidiabética no DM2. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/manejo-da-terapia-antidiabetica-no-dm2/. Acesso em: 19 jun. 2026.

4. American Diabetes Association. Understanding Carbs. Disponível em: https://diabetes.org/food-nutrition/understanding-carbs. Acesso: 22 jun. 2026.

5. Figueiredo BQ, Brito ACVS, Miranda BRC, et al. (2021). Complicações crônicas decorrentes do Diabetes mellitus: uma revisão narrativa de literatura. Research, Society and Development, 10(14):e96101421794. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/21794. Acesso em: 19 jun. 2026.

6. Santos PT, Pereira RC, Nakamura PM, et al. (2022). Fatores que interferem na adesão ao tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2. Research, Society and Development, 11(1):e29711124861. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/24861. Acesso em: 19 jun. 2026.

7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia de atividade física para a população brasileira. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/ecv/publicacoes/guia-de-atividade-fisica-para-populacao-brasileira/view. Acesso em: 7 jun. 2026.

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