Bilastina ou fexofenadina: como escolher e quando indicar
Entenda mecanismo de ação, sedação, jejum, interações e critérios para escolha clínica de cada medicamento
Por Mantecorp Saúde
13/08/2026 - Última atualização: 13/08/2026
A bilastina e a fexofenadina são anti-histamínicos de segunda geração amplamente utilizados no tratamento de condições alérgicas como a rinite alérgica e a urticária1,2.
Na prática clínica, pode haver dúvidas sobre indicar um ou outro medicamento, já que ambos são eficazes, seguros e têm indicações parecidas3.
Por isso, propomos um comparativo entre os dois antialérgicos. Veja a seguir.
O que são a bilastina e a fexofenadina
A bilastina e a fexofenadina pertencem à classe dos anti-histamínicos H1 de segunda geração, uma de suas principais características é que não atravessam a barreira hematoencefálica e não chegam ao Sistema Nervoso Central (SNC). Portanto, elas não causam a sonolência característica dos anti-histamínicos de primeira geração1,4.
Como agem no corpo
Elas agem no corpo como agonistas inversos dos receptores H1, estabilizando esses receptores em seu estado inativo para aliviar as respostas alérgicas induzidas pela histamina2.
Seus efeitos colaterais são geralmente comparáveis ao placebo, sendo a cefaleia o sintoma adverso mais comumente relatado5,6.
Indicações
Elas são indicadas principalmente para o alívio de sintomas de rinite alérgica e urticária idiopática crônica1,4.
Receptores H1: por que eles importam na alergia
Os receptores H1 são proteínas acopladas à proteína G encontradas em vasos sanguíneos, neurônios sensoriais e outros tecidos, sendo os principais mediadores da inflamação alérgica. O papel dos receptores H1 em processos alérgicos inclui a indução de prurido, espirros, aumento da permeabilidade vascular e edema1.
A histamina atua como um agonista que desloca o equilíbrio para o estado ativo do receptor, levando a efeitos como contração muscular, broncoespasmos, aumento da permeabilidade endotelial e estimulação dos nervos sensoriais e dos receptores da tosse. Os anti-histamínicos H1 atuam como agonistas inversos, direcionando esse equilíbrio para o estado inativo e suprimindo os efeitos da histamina7.
Como esses efeitos não representam um antagonismo genuíno, mas sim um deslocamento do equilíbrio entre as formas ativa e inativa dos receptores H1, atualmente utiliza-se o termo anti-histamínico H1 em vez da antiga denominação “antagonista anti-histamínico”7.
Além dos receptores H1, existem outros subtipos de receptores de histamina (H2, H3 e H4), que desempenham diferentes funções fisiológicas e imunológicas7.
Mecanismo de ação da bilastina
A bilastina é indicada para o tratamento sintomático de rinite, rinoconjuntivite alérgica (sazonal e perene) e urticária1. No corpo, ela atua com alta seletividade pelos receptores H1 e possui uma afinidade de ligação três vezes maior que a cetirizina e seis vezes maior que a fexofenadina7.
A medicação em geral é bem tolerada e efeitos adversos sérios não foram reportados7.
Sedação e efeitos no Sistema Nervoso Central
A bilastina é considerada não sedante, com uma ocupação de receptores H1 cerebrais próxima de zero em estudos de imagem funcional (PET)1.
Com base em dados publicados, a bilastina apresenta a menor taxa de ocupação dos receptores H1 cerebrais entre todos os anti-histamínicos disponíveis. Portanto, ela tem capacidade mínima de causar efeitos adversos no sistema nervoso central1.
Início e tempo de ação
A bilastina possui início de ação rápido, cerca de 1 hora após a administração, e uma duração de ação prolongada, superior a 26 horas6.
Mecanismo de ação da fexofenadina
A fexofenadina é o metabólito ativo da terfenadina, indicada para rinite alérgica sazonal e urticária crônica. Ela atua bloqueando seletivamente os receptores H1 periféricos e demonstra eficácia na redução de espirros, rinorreia e prurido ocular2,5,8.
A fexofenadina pode gerar alguns efeitos adversos como náusea e fadiga e o mais comum é cefaleia. Além disso, seu uso durante a gravidez deve ocorrer apenas sob avaliação médica, considerando a relação benefício-risco2.
Sedação e efeitos no Sistema Nervoso Central
Os resultados da ocupação dos receptores H1 cerebrais (H1RO) obtidos por meio de tomografia por emissão de pósitrons (PET) demonstraram que a fexofenadina não apresenta ocupação dos receptores H1 no cérebro, cuja ativação está associada ao efeito sedativo dos anti-histamínicos H14.
Início e tempo de ação
A fexofenadina é rapidamente absorvida, atingindo concentrações plasmáticas máximas aproximadamente entre 1,0 e 1,5 horas após a administração de doses únicas da solução oral (20 a 240 mg) e apresenta longa duração de ação (meia-vida de aproximadamente 14 horas)5.
Principais diferenças entre bilastina e fexofenadina
Entenda as principais diferenças entre a bilastina e fexofenadina, como necessidade de jejum e interações.
Duração do efeito farmacológico
Apesar de terem duração de efeito parecida e ambas necessitarem uma dose única diária, no perfil farmacológico, a bilastina apresenta um tempo de residência no receptor H1 ligeiramente superior (73 minutos) em comparação à fexofenadina (60 minutos)5,6,9.
Além disso, em estudo que avaliou sua ação em quadros de rinite alérgica, a fexofenadina mostrou-se eficaz apenas durante as primeiras 4 horas após a dose. Após esse período, a bilastina foi considerada significativamente mais eficaz que a fexofenadina na redução dos sintomas6.
Jejum
A bilastina exige administração em jejum (1 hora antes ou 2 horas depois da comida), pois alimentos e sucos desaceleram sua absorção7.
Sedação
Ambas são consideradas não sedantes, mas a bilastina demonstrou uma ocupação cerebral de H1 em menor taxa entre todos os anti-histamínicos1.
Interações
Quanto às interações, a bilastina interage negativamente com o suco de toranja, enquanto a fexofenadina tem sua absorção significativamente reduzida por sucos de toranja, maçã e laranja1,2.
Interação com álcool
A bilastina, em dosagens adequadas, não interage com o álcool1.
Não há registro sobre a interação no caso da fexofenadina1. Porém, em estudo, não foram observados efeitos prejudiciais da fexofenadina em medidas objetivas relacionadas à condução de veículos nem em aspectos da função psicomotora e cognitiva, mesmo quando o medicamento foi administrado em combinação com uma dose de álcool equivalente a 0,3 g/kg de peso corporal10.
Como escolher entre bilastina ou fexofenadina na prática clínica
Ambas são ideais para profissionais que exigem alto nível de alerta, devido ao efeito sedativo nulo1,4.
Eficácia prolongada
Alguns estudos sugerem que a bilastina apresenta efeito mais prolongado que a fexofenadina, o que pode estar relacionado a uma eficácia mais duradoura, especialmente em pacientes com rinite alérgica1.
Histórico do paciente
Em termos de comorbidades e idade, a bilastina não requer ajuste de dose em idosos ou casos de insuficiência renal leve/moderada, enquanto a fexofenadina deve ser iniciada em dose menor em pacientes com função renal diminuída1,5.
Interações medicamentosas
O uso de antiácidos contendo hidróxido de alumínio e magnésio, aproximadamente 15 minutos antes do cloridrato de fexofenadina, pode causar redução na biodisponibilidade11.
Tabela comparativa entre bilastina e fexofenadina
Veja abaixo uma tabela comparativa das características da bilastina e da fexofenadina:
| Característica | Bilastina | Fexofenadina |
|---|---|---|
| Seletividade pelo receptor H1 | +++ | + |
| tmax (horas) | 1.3 | 1–3 |
| Meia-vida de eliminação | 14.5 | 11–15 |
| Indicado para rinite alérgica? | ✓ | ✓ |
| Indicado para urticária? | ✓ | ✓ |
| Necessidade de jejum | Administrar em jejum | Evitar tomar junto com alimentos ricos em gordura e com suco de frutas. |
| Uso na gravidez e lactação? | Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou de cirurgião-dentista | Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou de cirurgião-dentista |
| Interações medicamentosas clinicamente relevantes? | Não | Sim (antiácidos) |
| Interação com álcool? | Não | Estudos iniciais não demonstram interação |
| Pacientes podem dirigir e operar máquinas (ausência de potencial sedativo)? | ✓ | ✓ |
| Número de propriedades anti-histamínicas recomendadas pelo ARIA* | 10 | 9.5 |
*ARIA: Allergic Rhinitis and its Impact on Asthma
Adaptado de: WANG, X. Y. et al. Treatment of allergic rhinitis and urticaria: a review of the newest antihistamine drug bilastine. Therapeutics and Clinical Risk Management, v. 12, p. 585–597, 2016. Com informações da bula de Allegra e Alektos.
Perguntas frequentes sobre bilastina ou fexofenadina
Veja a seguir as respostas para as perguntas mais frequentes sobre fexofenadina e bilastina.
Qual a diferença entre bilastina e fexofenadina?
A bilastina e a fexofenadina são medicamentos anti-histamínicos H1 de segunda geração e por isso não ultrapassam a barreira hematoencefálica nem geram sintomas como sedação e sonolência. Uma das principais diferenças é que, segundo alguns estudos científicos, a bilastina é mais frequentemente indicada para casos de rinoconjuntivite1,2.
Bilastina causa sono?
Por ser um medicamento anti-histamínico H1 de segunda geração e não ultrapassar a barreira hematoencefálica, a bilastina não causa sono1.
Fexofenadina causa sono?
Por ser um medicamento anti-histamínicos H1 de segunda geração e não ultrapassar a barreira hematoencefálica, a fexofenadina não causa sono4.
Bilastina precisa ser tomada em jejum?
Para evitar que alimentos e sucos reduzam a velocidade de sua absorção, a bilastina deve ser administrada estritamente em jejum: 1 hora antes ou 2 horas após a ingestão de alimentos7.
Fexofenadina pode ser tomada com suco?
A biodisponibilidade da fexofenadina é comprometida pela ingestão concomitante de sucos de toranja, maçã e laranja, que provocam uma redução significativa na sua absorção intestinal2.
Quando indicar bilastina ou fexofenadina?
A bilastina e a fexofenadina são indicadas em quadros de alergia respiratória e cutânea1.
Este material destina-se exclusivamente a fins educacionais e informativos. As informações aqui apresentadas não substituem o julgamento clínico do profissional de saúde nem devem ser utilizadas como base única para decisões diagnósticas ou terapêuticas.
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