Proteja coração, rins e visão das complicações do diabetes
A taxa elevada de açúcar no sangue, sem controle, pode trazer sérios prejuízos. Entenda como o diabetes pode afetar seu organismo e como se cuidar
Por Mantecorp Saúde
11/09/2026 - Última atualização: 11/09/2026
Diabetes é uma doença crônica que exige acompanhamento. Com os cuidados adequados, é possível conviver com a doença. Mas a glicemia – a taxa de açúcar no sangue – alta e descontrolada pode trazer consequências sérias1.
As complicações do diabetes podem afetar o coração, os rins, os olhos, os nervos e os pés, pois o excesso de glicose, aos poucos, prejudica vasos sanguíneos e o organismo1-4.
Por isso, exames de rotina e acompanhamento médico regular são pontos fundamentais, ajudando a identificar qualquer alteração precocemente e a reduzir os riscos3,4.
Complicações do diabetes: quais órgãos podem ser afetados?
As complicações relacionadas ao diabetes são divididas em dois grandes grupos, dependendo do tamanho dos vasos sanguíneos que são danificados pelo excesso de glicose no sangue, e podem afetar diversos órgãos3.
Diante disso, temos:
- Complicações microvasculares: afetam pequenos vasos e podem trazer prejuízos para olhos, rins e nervos3;
- Complicações macrovasculares: afetam grandes vasos sanguíneos e estão relacionadas à chamada aterosclerose, que é o acúmulo de placas de gordura em artérias. Na aterosclerose, há endurecimento, inflamação e até entupimento das artérias. Isso afeta o sistema cardiovascular, colocando coração e cérebro em risco - há maiores chances de infarto e AVC3.
Quais são os problemas que o diabetes pode causar?
Os problemas do diabetes variam de acordo com os níveis de glicose e quanto tempo a glicemia está descontrolada1,3,4.
Entenda, na tabela abaixo, como o diabetes impacta diferentes partes do corpo e quais cuidados o seu médico pode solicitar:
| Órgão ou sistema | Possível complicação | Cuidado e acompanhamento |
|---|---|---|
| Coração e vasos | Infarto, AVC e insuficiência cardíaca3,4,5 | Controle da pressão arterial (<130/80 mmHg) e do colesterol4 |
| Rins | Doença renal do diabetes (DRD)2,3,4,6 | Exames anuais de creatinina (sangue) e albuminúria (urina)4 |
| Olhos | Retinopatia, glaucoma e catarata2,3 | Exame de fundo de olho com pupila dilatada e mapeamento de retina a cada 1 ou 2 anos ou com frequência maior em caso de sintoma ocular4 |
| Nervos | Neuropatia periférica e autonômica2,3 | Avaliação da sensibilidade nos pés7 |
| Pés | Úlceras e pé diabético7 | Rastreamento e inspeção de acordo com o risco determinado pelo médico7 |
| Saúde emocional | Depressão, ansiedade e impacto emocional2 | Diálogo aberto com a equipe de saúde e suporte psicológico2 |
A seguir, falaremos em detalhes das complicações do diabetes de acordo com o órgão que pode ser afetado.
Diabetes e coração: por que o risco cardiovascular merece atenção
Pessoas com diabetes tipo 2 têm um risco de duas a quatro vezes maior de desenvolver doenças cardiovasculares5, pois o diabetes está associado a fatores que também afetam a saúde do coração, como pressão arterial elevada e alterações nos triglicerídeos3.
Portanto, manter a pressão arterial e o colesterol dentro de metas saudáveis faz parte do cuidado3,4.
Além disso, olhando de forma mais ampla, a doença arterial periférica também é comum em pessoas com diabetes. Ela reduz o fluxo de sangue para os pés2,3, e esse quadro reflete um padrão de dano vascular que também pode se manifestar em outras partes do corpo3.
O acompanhamento cardiológico regular contribui para reduzir riscos ao longo do tempo3, por isso, consulte seu médico regularmente para monitorar possíveis sintomas.
Diabetes e rins: como a doença pode afetar a filtragem do sangue
Os rins funcionam como um filtro formado por milhões de pequenos vasos sanguíneos, responsáveis por remover resíduos do sangue e manter substâncias úteis circulando2,3 entre os remetentes e destinatários corretos. Quando a glicose se mantém elevada por muito tempo, esse processo de filtragem pode ser sobrecarregado3.
Toda essa cadeia de acontecimentos favorece a perda de pequenas quantidades de proteína pela urina, quadro chamado de microalbuminúria2,3. Quando identificada precocemente, essa alteração permite condutas para evitar o agravamento2,3, mas em fases avançadas a filtragem pode falhar, exigindo transplante ou até mesmo hemodiálise2,3 em alguns casos.
Lembre-se: nem toda pessoa com diabetes desenvolve doença renal. Fatores genéticos, o controle da glicose e da pressão arterial influenciam diretamente esse risco2.
Diabetes e visão: por que os olhos também precisam de acompanhamento regular
A hiperglicemia, ou excesso de açúcar no sangue, pode danificar os vasos sanguíneos da retina. Uma das complicações do diabetes relacionadas aos olhos é a retinopatia diabética. Estudos apontam que essa doença é a principal causa de cegueira em pessoas com idade entre 20 e 74 anos3.
Além disso, o glaucoma e a catarata também surgem com mais frequência em pessoas com diabetes. A catarata deixa o cristalino opaco, bloqueando a luz, enquanto o glaucoma envolve o aumento da pressão interna do olho2.
Consultar um oftalmologista regularmente ajuda a identificar alterações antes que se tornem graves. Converse com o seu médico para avaliar a melhor condução caso a caso. O especialista pode solicitar exames como fundo de olho com dilatação e mapeamento de retina4.
Além disso, quando o assunto é diabetes e olhos, mais uma vez é essencial manter a glicemia sob controle, afinal, a glicose alta descontrolada pode prejudicar ainda mais os vasos sanguíneos e agravar problemas oculares3.
Impactos do diabetes na pele
Quem convive com o diabetes pode apresentar problemas relacionados à pele, desde pele seca até dificuldade de cicatrização e redução da sensibilidade2.
Como a glicemia alta favorece a desidratação, uma vez que a glicose em excesso "rouba água do corpo", quem tem diabetes pode apresentar pele seca, mais suscetível a rachaduras, coceira e infecções. Alguma eventual questão dermatológica também pode ser agravada2.
Quando controlado, o diabetes pode não apresentar nenhuma alteração cutânea. Por isso é fundamental manter a glicemia em níveis normais, cuidar da alimentação e seguir todas as orientações do médico2.
Ainda assim, há outros pontos de atenção.
Cicatrização mais lenta
Fala-se também da relação entre diabetes e feridas, e não é para menos. As rachaduras da pele que se tornou mais seca podem evoluir para feridas. Tais feridas podem demorar mais a cicatrizar por causa da vascularização insuficiente2 (a circulação fica prejudicada quando há hiperglicemia persistente).
Em casos graves, todo esse quadro pode até levar à amputação do membro2.
Redução da sensibilidade
A redução da sensibilidade está relacionada à neuropatia periférica. Ela ocorre quando os nervos que carregam informações entre o cérebro e o restante do corpo sofrem danos2. Essa complicação do diabetes pode afetar um único nervo, um grupo de nervos ou nervos espalhados pelo corpo, e costuma vir acompanhada de outros sintomas como níveis baixos de energia, mobilidade e disposição para as atividades do dia a dia2.
Combinada à doença arterial periférica (uma das complicações cardiovasculares), ela reduz a sensibilidade nos pés e o fluxo de sangue2,3.
Isso significa que uma pessoa pode ter machucados como uma bolha ou um corte e não sentir, o que facilita o surgimento de feridas graves2,3.
Pés podem dar o sinal de alerta
A redução da sensibilidade nos pés pode evoluir e resultar no chamado "pé diabético"3,7. Por isso, vale observar a pele como um todo e ainda ter um olhar mais cuidadoso para os pés.
É importante observar os pés e procurar atendimento diante de qualquer ferida, alteração de cor, sensibilidade, inchaço ou dor. Isso ajuda a prevenir complicações mais graves3,7.
Como o controle do diabetes ajuda a proteger a saúde como um todo
Manter a glicemia sob controle evita uma série de complicações para o coração, os rins, os olhos, a pele... o organismo como um todo1-4. E alguns pilares de cuidado ajudam a cuidar da saúde no longo prazo:
- Controle glicêmico: manter as taxas de açúcar no sangue sob controle e a hemoglobina glicada (HbA1c) dentro da meta (geralmente abaixo de 7%)8.
- Acompanhamento médico: realizar exames de rotina, incluindo fundo de olho, avaliação de albuminúria e outros3,4.
- Estilo de vida: praticar 150 minutos de atividade física semanal, manter uma alimentação saudável e ter sono de qualidade ajudam a manter o diabetes sob controle8.
- Cuidado com excesso de peso: diabetes e excesso de peso muitas vezes andam juntos, e a obesidade traz ainda mais complicações do diabetes8. É essencial buscar e manter o peso adequado, sempre com acompanhamento de profissionais da saúde4,8.
- Atenção a fatores de risco: é preciso ainda controlar a pressão arterial, o colesterol e cessar o tabagismo2,3,5.
Sinais de atenção que não devem esperar
O diabetes é uma doença silenciosa. Os sinais costumam aparecer quando a glicemia está alta por um bom tempo1,3,9.
Há um trio de sintomas que exige atenção: muita vontade de urinar, sede excessiva e aumento da fome. Além disso, pode acontecer perda de peso sem razão aparente. Diante desse conjunto de fatores, procure um médico o quanto antes9.
A hiperglicemia ainda pode dar sinais como:
- acordar diversas vezes durante a noite para urinar9;
- visão turva9;
- cansaço9;
- infecções recorrentes9;
- má cicatrização9.
Também procure um médico diante dos sintomas acima.
Além disso, mantenha seus exames em dia. O melhor caminho para descobrir um quadro de diabetes, tratar e evitar complicações é acompanhar a glicemia3,9. E isso pode ser feito com exames de sangue simples, solicitados pelo médico em consultas de rotina.
Leia ainda: Qual exame detecta o diabetes? E quais exames quem tem diabetes deve fazer?
Perguntas frequentes sobre complicações do diabetes
Abaixo, preparamos um resumo com as principais dúvidas sobre o tema. E lembre-se: em caso de dúvida ou qualquer sintoma, converse com seu médico. Diabetes é uma doença crônica, mas com acompanhamento e seguindo os cuidados necessários é possível evitar complicações e viver bem.
Quais são as principais complicações do diabetes?
As complicações mais associadas ao diabetes envolvem coração e vasos sanguíneos, rins, olhos, nervos e pés, além de impactos na pele e na saúde emocional1-4.
Diabetes pode causar problemas no coração?
O diabetes está relacionado a fatores que também afetam a saúde cardiovascular, como maior risco de aterosclerose e AVC3. O acompanhamento regular com um cardiologista faz parte do cuidado com a doença5.
Diabetes pode afetar os rins?
Sim. A glicose elevada por um tempo prolongado pode sobrecarregar a capacidade de filtragem dos rins, por isso, exames regulares de urina e sangue ajudam a identificar alterações precocemente2,3.
Diabetes pode prejudicar a visão?
Sim, o diabetes está associado a retinopatia, glaucoma e catarata. O acompanhamento oftalmológico regular ajuda a identificar essas alterações antes que comprometam a visão2,3.
O diabetes pode afetar a pele?
Pode. A glicemia alta favorece a desidratação, então a pele tende a ficar mais seca, com maior risco de rachaduras, coceira e infecções. Essas rachaduras podem evoluir para feridas, que cicatrizam mais devagar quando a circulação está prejudicada2.
Quando o diabetes está controlado, a pele pode não apresentar nenhuma alteração, o que reforça a importância de manter a glicemia em níveis normais e seguir as orientações médicas2.
Por que o diabetes pode causar feridas nos pés?
A combinação de menor sensibilidade e redução do fluxo sanguíneo torna mais fácil sofrer ferimentos sem perceber e dificulta a cicatrização, por isso, é recomendado inspecionar os pés e procurar um médico em caso de dúvida ou sintoma2,7.
Complicações do diabetes podem ser evitadas?
O acompanhamento médico contínuo, o controle glicêmico e os exames regulares ajudam a reduzir riscos, embora cada caso deva ser avaliado individualmente pelo médico responsável8.
Quando procurar um médico?
Diante de qualquer sinal de alerta, como dor no peito, alteração visual repentina, ferida que não cicatriza ou perda de sensibilidade nos pés, é recomendável buscar avaliação médica o quanto antes2,3.
Quais sinais do diabetes não devem esperar?
Diabetes é uma doença silenciosa e quando os sintomas aparecem pode ser sinal de glicemia elevada há muito tempo3,9.
Vale procurar um médico o quanto antes diante do trio clássico de sintomas de glicose alta: muita vontade de urinar, sede excessiva e aumento da fome, que pode vir acompanhado de perda de peso sem razão aparente. Outros sinais incluem visão turva, cansaço, infecções recorrentes e feridas que não cicatrizam9.
Leia também: Por que a adesão ao tratamento é tão importante quando falamos de diabetes
Importante: as informações apresentadas neste artigo têm finalidade educativa e não substituem a orientação de profissionais de saúde. Diabetes é uma doença crônica e necessita acompanhamento contínuo.
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