Quais exames quem tem diabetes tipo 2 precisa fazer regularmente?
Diabetes é uma doença crônica, que exige acompanhamento constante para entender como está a taxa de glicose e outros fatores relacionados à condição
Por Mantecorp Saúde
01/09/2026 - Última atualização: 01/09/2026
É possível conviver com o diabetes tipo 2, mas, para isso, é importante acompanhar a saúde de perto. E aí entram os exames para diabetes, que ajudam tanto a detectar a doença quanto a entender como está o quadro e fazer qualquer ajuste necessário no tratamento.
A lista inclui desde exames de sangue, para saber se já existe um quadro de diabetes e como está a glicemia1, até testes que apontam possíveis complicações2, além de medidas que ajudam a acompanhar o peso corporal3.
Cada exame para diabetes tem uma função, e é o seu médico quem vai dizer quais são necessários no seu caso e com que frequência você deve repeti-los. A avaliação é sempre individual.
Exame para diabetes: por que o acompanhamento não termina no diagnóstico
É comum pensar que, depois do diagnóstico de diabetes tipo 2, os exames servem só para confirmar se a glicose está boa ou ruim. Na cabeça de muita gente, uma vez que o diagnóstico está fechado, bastaria repetir sempre o mesmo teste para saber se está tudo em ordem.
Mas, na prática, o acompanhamento costuma ser bem mais amplo do que isso, e envolve olhar para o corpo como um todo, não só para o nível de açúcar no sangue2,3.
Alguns exames, como a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, cumprem justamente esse papel duplo e ajudam tanto a fechar o diagnóstico quanto a acompanhar o controle da doença ao longo dos anos1,4.
Já outros, como a avaliação dos rins, do coração, dos olhos e dos pés, contribuem para rastrear sinais de complicações que podem se desenvolver de forma silenciosa, muitas vezes sem nenhum sintoma perceptível2,5.
Por isso, não basta fazer alguns testes e descobrir um quadro de diabetes. O diabetes tipo 2 é uma condição crônica, que acompanha a pessoa por toda a vida, e cada exame tem seu próprio papel e sua própria frequência. Cabe ao médico definir esse ritmo de acordo com o histórico, a idade e as condições de cada pessoa1-3.
Mas, afinal, qual exame detecta diabetes?
Dois exames de sangue são a base do diagnóstico e do acompanhamento do diabetes tipo 2: a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada. Em alguns casos, o médico também pode solicitar o teste de tolerância à glicose oral (TTGO)1,4.
Veja como é cada exame e para que servem.
Glicemia de jejum
A glicemia de jejum é um exame de sangue que mede a quantidade de glicose no sangue em um único momento, geralmente pela manhã, após um período de jejum1.
Estes são os valores de referência:
- normal: abaixo de 100 mg/dl1
- pré-diabetes: 100 a 125 mg/dl1
- diabetes: 126 mg/dl ou mais1
Lembrando que a interpretação do exame e o diagnóstico vêm do médico. Os valores citados neste artigo são os considerados como referência nas diretrizes brasileiras do diabetes1.
Hemoglobina glicada
A hemoglobina glicada (também chamada de HbA1c) é outro exame de sangue laboratorial. Ela mostra a média da glicose no sangue nos últimos dois a três meses, e não exige jejum para ser feita1,4.
Além de contribuir para o diagnóstico da doença, costuma ser um dos exames mais usados para acompanhar o controle do diabetes tipo 2 ao longo do tempo, já que reflete um período mais amplo do que a glicemia de jejum isolada1,4.
Veja as referências para diagnóstico do diabetes relacionadas à hemoglobina glicada:
- normal: abaixo de 5,7%1
- pré-diabetes: 5,7% a 6,4%1
- diabetes: 6,5% ou mais1
Qual é a diferença entre hemoglobina glicada e glicemia de jejum?
Uma dúvida frequente é entender por que o médico, às vezes, pede os dois testes juntos. A resposta é simples: esses exames para diabetes se completam. Um mostra a glicose em um momento específico, o outro mostra a média ao longo dos meses1,4.
Temos, então, o seguinte cenário se compararmos a glicemia de jejum com a hemoglobina glicada1,4:
| Exame | Precisa de jejum? | O que mostra | Frequência habitual* |
|---|---|---|---|
| Glicemia de jejum | Sim, geralmente 8 a 12 horas | Nível de glicose no momento do exame | A cada 3 a 6 meses, dependendo do controle |
| Hemoglobina glicada (HbA1c) | Não | Média da glicose nos últimos 2 a 3 meses | A cada 3 a 6 meses, dependendo do controle |
*A frequência final sempre deve ser definida pelo médico, conforme o caso.
Teste de tolerância à glicose oral (TTGO)
Ainda pensando em quais exames detectam o diabetes, o médico pode solicitar o teste de tolerância à glicose oral (TTGO)1.
Neste caso, a pessoa tem o sangue coletado em jejum. Depois, ela bebe um líquido de sabor bem doce, com 75 gramas de glicose. O sangue é coletado, novamente, 1 hora após a ingestão desse líquido e após 2 horas1.
Os valores de referência para cada momento estão na tabela abaixo1:
| Exame | Normal | Pré-diabetes | Diabetes |
|---|---|---|---|
| Glicemia de 1 hora no TTGO (mg/dl) | < 155 | 155-208 | ≥ 209 |
| Glicemia de 2 horas no TTGO (mg/dl) | < 140 | 140-199 | ≥ 200 |
Por que o médico pede mais de um exame para diabetes?
Quando o assunto é o diabetes, são solicitados os exames de glicemia de jejum, hemoglobina glicada e TTGO, sendo necessário que dois desses exames estejam alterados para fechar o diagnóstico1,6.
Quais exames podem ser feitos para monitorar a glicemia em quem tem diabetes?
Uma vez que se tem o diagnóstico, é preciso monitoramento constante. O diabetes é uma doença crônica, então é necessário sempre estar atento.
Pensando em monitorar as taxas de glicose no sangue, o médico pode pedir exames como a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada para acompanhar a evolução do quadro1,3,5 e fazer algum ajuste necessário no tratamento ou na dieta.
Glicemia capilar
Sabe aqueles aparelhinhos que conseguem medir a quantidade de açúcar no sangue com uma picadinha na ponta do dedo? Este teste é chamado de glicemia capilar, e ele pode ser útil para quem convive com diabetes tipo 1 e tipo 26.
Com ele, como explica a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), é possível saber, em tempo real, o valor da glicemia6.
Para quem tem diabetes tipo 2, isso pode ser útil para controlar a glicemia, principalmente no caso de quem toma algum remédio que pode baixar a glicemia (hipoglicemia) ou faz uso de insulina7.
É importante reforçar que esse teste não substitui os demais exames para diabetes nem deve ser tomado como base para autodiagnóstico. Em caso de qualquer dúvida, converse com seu médico.
Exames e cuidados relacionados a complicações do diabetes tipo 2
O tratamento do diabetes tipo 2 se preocupa com o controle da glicemia e com o paciente de forma mais ampla, afinal, é preciso ficar atento a possíveis complicações e agravantes da doença3.
Por isso, como reforça a SBD em suas diretrizes, cuidar do diabetes é pensar em saúde cardiovascular e renal, além de controlar o peso. Também é importante o controle da glicemia como uma forma de prevenir outros problemas no longo prazo3.
A American Diabetes Association segue o mesmo direcionamento e ainda lembra que quem tem diabetes, seja tipo 1 ou 2, tem maiores riscos de ter doenças oculares2.
Por isso, ao falarmos de exames para quem tem diabetes, precisamos ir além dos clássicos exames de sangue2.
Perfil lipídico e pressão arterial são exames que olham para o coração
O diabetes tipo 2 aumenta o risco de ter colesterol LDL, aquele conhecido como "colesterol ruim", e triglicérides altos. Esse cenário aumenta as chances de desenvolver doenças cardiovasculares2.
Por isso, entre outras medidas, os médicos costumam incluir na rotina do paciente exames que acompanham o seu perfil lipídico, ou seja, medem o colesterol LDL, o HDL e o colesterol total e os triglicérides2.
O médico avaliará os resultados e indicará se é necessário ou não iniciar alguma medicação voltada para o controle do colesterol, por exemplo2.
Além disso, é rotina aferir a pressão arterial nas consultas. O diabetes ainda aumenta as chances de pressão alta, o que eleva os riscos de doença cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), perda de visão e doença renal2.
É importante manter a pressão em níveis adequados e sempre seguir com o acompanhamento médico2.
Creatinina e albuminúria: como os rins entram no cuidado
Os rins funcionam como filtros do corpo, retirando do sangue substâncias que devem ser eliminadas pela urina. Quando a glicose fica elevada por muito tempo, os pequenos vasos sanguíneos dos rins podem ser afetados, o que reforça a importância de acompanhar esses órgãos mesmo sem sintomas aparentes4.
Alguns exames ajudam nesse acompanhamento:
- Razão Albumina/Creatinina (ACR): exame de urina que verifica a quantidade de albumina presente na sua urina. A albumina é um tipo de proteína e o excesso dela é um sinal de dano renal2.
- Taxa de Filtração Glomerular Estimada (eGFR): exame que traça uma estimativa de quão bem os seus rins estão funcionando. A eGFR é calculada com base no nível de creatinina no sangue e em outros fatores, como idade e sexo2.
Tais exames ajudam porque ao notar algo fora do esperado, é possível começar um tratamento precoce. E isso, somado ao controle da glicemia e da pressão arterial, protege os rins e reduz os riscos de doença renal crônica2.
Controle do peso é essencial para a saúde
Em muitos casos, diabetes e obesidade caminham lado a lado. E esse cenário não é nada favorável. Quando há excesso de peso é ainda mais difícil controlar a glicemia e os riscos de problemas cardiovasculares aumentam, assim como a mortalidade3.
Já a redução do peso corporal está associada a menos complicações e até chances de remissão do diabetes3.
Portanto, o médico deve ficar atento ao peso do paciente e acompanhar o IMC (Índice de Massa Corporal). O IMC considerado normal é de 18,5 a 24,92.
Os olhos também pedem atenção em casos de diabetes tipo 2
Exame de fundo de olho, com dilatação e mapeamento de retina também fazem parte da rotina de quem convive com o diabetes. O médico pede esses exames em busca de sinais de doença ocular diabética, incluindo a retinopatia diabética, além de avaliar se há outros problemas, como glaucoma e catarata2.
A avaliação dos pés é um cuidado que não deve ser deixado para depois
O diabetes pode reduzir a sensibilidade nos pés e afetar a circulação, o que aumenta o risco de feridas que demoram para cicatrizar e podem evoluir para complicações mais sérias8.
Isso é chamado de neuropatia diabética, causada pelos níveis altos e prolongados de açúcar no sangue, que inflamam e lesionam os nervos e os vasos sanguíneos8.
De acordo com a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, a incidência de feridas nos pés ao longo da vida de quem tem diabetes varia entre 19% e 34%, e mesmo depois de cicatrizadas, elas podem voltar a aparecer em até 40% dos casos no primeiro ano8.
A avaliação regular dos pés é uma das formas mais simples de reduzir esse risco.
Quando o exame de dosagem de vitamina B12 pode entrar no acompanhamento?
Algumas pessoas com diabetes tipo 2 fazem uso prolongado de alguns medicamentos que podem reduzir a absorção de vitamina B12 no intestino3. Portanto, o exame de dosagem dessa vitamina pode ser considerado nesses casos específicos.
Também de acordo com a diretriz da SBD, a avaliação da B12 pode ser realizada anualmente, após 4 anos de uso contínuo desses tipos de medicamentos, como a metformina3.
Porém, a decisão sobre repor ou não a vitamina, quando há deficiência, cabe ao médico, com base no quadro clínico de cada pessoa.
Checklist de exames para conversar na próxima consulta
A lista de exames importantes para quem tem diabetes é extensa, e nosso objetivo aqui é ajudar você a entender a função de cada um deles.
Por isso, veja um resumo dos exames e converse com seu médico.
| Área | Exames |
|---|---|
| Controle da glicose | Glicemia de jejum, hemoglobina glicada e, em alguns casos, TTGO1,4 |
| Rins | Creatinina (sangue) e albuminúria (urina)2 |
| Coração | Perfil lipídico e pressão arterial2 |
| Olhos | Fundo de olho com dilatação e mapeamento de retina2 |
| Peso | Acompanhamento do IMC2 |
| Vitamina B12 | Dosagem de B123 |
A frequência de cada um deve ser combinada com o médico, de acordo com o seu histórico e os resultados anteriores.
Perguntas frequentes sobre exames para diabetes
Veja ainda um resumo com as dúvidas mais comuns sobre os exames relacionados ao diabetes.
Qual exame detecta diabetes?
A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada são os exames mais usados para o diagnóstico. Em alguns casos, o médico pode complementar com o TTGO1.
Hemoglobina glicada precisa de jejum?
Não. Diferente da glicemia de jejum, a hemoglobina glicada pode ser feita a qualquer hora do day1,4.
Quem tem diabetes precisa fazer exame de urina?
Sim, o exame da albuminúria, por exemplo, ajuda a acompanhar a saúde dos rins, que podem ser afetados pelo diabetes ao longo do tempo2.
Para que serve a albuminúria no diabetes?
Ela verifica se há proteína (albumina) sendo eliminada na urina, o que pode ser um sinal inicial de alteração na função dos rins2.
Por que o médico avalia os pés de quem tem diabetes?
Porque o diabetes pode reduzir a sensibilidade e afetar a circulação nos pés, aumentando o risco de feridas que demoram para cicatrizar8.
Todo paciente com diabetes precisa dosar vitamina B12?
Não necessariamente. Esse exame pode ser considerado em situações específicas, como uso prolongado de determinados medicamentos para diabetes, sempre a partir de uma recomendação do seu médico3.
Glicemia de jejum precisa de jejum de quantas horas?
A glicemia de jejum exige jejum, geralmente de 8 a 12 horas. É essa a diferença em relação à hemoglobina glicada, que pode ser feita a qualquer hora do dia1,4.
Glicemia capilar, a do dedinho, substitui os exames de sangue?
Não. A glicemia capilar, feita com uma picada na ponta do dedo, mostra o valor da glicose em tempo real6 e pode ser útil no dia a dia, sobretudo para quem usa insulina ou remédios que podem baixar a glicemia7. Mas ela não substitui a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada nem os demais exames, e não deve ser usada para autodiagnóstico.
Importante: as informações apresentadas neste artigo têm finalidade educativa e não substituem a orientação de profissionais de saúde. Diabetes é uma doença crônica e necessita acompanhamento contínuo.
Outros artigos
Ver todosNossas marcas
A Mantecorp Farmasa se consolidou entre as líderes do mercado farmacêutico brasileiro. Confira nossas marcas: