Clínica Geral

Urticária: o que é, tipos, tratamentos e cuidados com a pele

A urticária pode ter causas variadas e provocar sintomas que interferem na rotina. Entenda como lidar com casos na rotina clínica e quais os tratamentos indicados

Por Mantecorp Saúde

26/08/2026 - Última atualização: 26/08/2026

Imagem da notícia Urticária: o que é, tipos, tratamentos e cuidados com a pele

Importante: este material destina-se exclusivamente a fins educacionais e informativos. As informações aqui apresentadas não substituem o julgamento clínico do profissional de saúde nem devem ser usadas como base única para decisões diagnósticas ou terapêuticas.

Placas avermelhadas, coceira intensa e inchaço na pele podem ser sinais de urticária, uma condição comum, que nem sempre tem a mesma causa1,2 e causa muito incômodo aos pacientes.

Em alguns casos, o quadro é passageiro; em outros, pode se repetir por semanas e impactar sono, rotina e qualidade de vida1,2.

Por isso, saber os tipos de urticária e os sinais de alerta é importante para pacientes entenderem quando buscar avaliação médica e para os profissionais de saúde, que devem compreender quais as condutas mais adequadas para cada quadro1,2.

Urticária: o que é e sinais comuns

A urticária é uma irritação na pele caracterizada pelo aparecimento repentino de lesões chamadas urticas. Elas costumam ser elevadas e avermelhadas, coçam bastante e podem surgir de forma isolada ou agrupadas em placas, com tamanhos variados1,2.

Essas lesões podem aparecer em qualquer parte do corpo. Mas uma característica comum a todas elas é que não duram muito tempo: em geral, desaparecem em até 24 horas, sem deixar marcas ou cicatrizes1,2.

Angioedema e urticária

Em cerca de metade dos casos, a urticária também pode vir acompanhada de angioedema, um tipo de inchaço de início rápido que atinge as camadas mais profundas da pele e das mucosas1.

As regiões mais afetadas costumam ser pálpebras, lábios, genitais, mãos e pés. Diferentemente das urticas, o angioedema geralmente não coça, mas pode causar sensação de queimação, desconforto ou dormência no local1.

Como ocorre em uma camada mais profunda, o angioedema costuma demorar mais para desaparecer, podendo levar até três dias para sumir completamente1.

Quando o inchaço atinge a laringe, pode dificultar a respiração e exigir atendimento de urgência. Por isso, sintomas como falta de ar, rouquidão, sensação de garganta fechando ou inchaço importante na língua e no rosto devem ser avaliados imediatamente1.

O que acontece na pele durante uma crise de urticária

Durante uma crise de urticária, células de defesa presentes na pele, chamadas mastócitos, são ativadas. Essas células liberam substâncias inflamatórias, como histamina, leucotrienos e prostaglandinas2.

A histamina é uma das principais responsáveis pelos sintomas. Ela participa da dilatação dos vasos sanguíneos e aumenta a passagem de líquido para a pele. Com isso, surgem o inchaço, a vermelhidão e as placas elevadas típicas da urticária. Essas substâncias também estimulam terminações nervosas da pele, o que provoca a coceira intensa2,3.

Placas vermelhas e elevadas nas costas e ombro de uma pessoa, ilustrando as lesões características de uma crise de urticária.

 

Em alguns casos, outros mediadores inflamatórios, como citocinas inflamatórias, podem ser liberados algumas horas depois, contribuindo para a resposta inflamatória e para a manutenção das lesões por mais tempo2.

Urticária aguda e urticária crônica: qual é a diferença?

A urticária pode ser classificada em dois grupos principais, de acordo com o tempo de duração dos sintomas: urticária aguda e urticária crônica1,2.

Urticária aguda

A urticária aguda é aquela de início recente, em que as lesões desaparecem em até seis semanas. Ela costuma surgir de repente e pode ter diferentes desencadeantes, como1,2:

  • infecções virais, como gripes, resfriados, faringites e amigdalites, e, em menor escala, infecções bacterianas, como infecções urinárias1,2;
  • medicamentos, principalmente anti-inflamatórios, analgésicos e antibióticos1,2;
  • alimentos, como leite de vaca, ovo, trigo e amendoim em crianças; e camarão, frutos do mar, nozes e castanhas em adultos1,2;
  • picadas de animais como abelhas, vespas e formigas1,2.

 

Mas é importante ressaltar que, em até 50% dos casos de urticária aguda, não se identifica a causa1.

Urticária crônica

Já a urticária crônica acontece quando as urticas, o angioedema ou ambos aparecem diariamente ou quase todos os dias por mais de seis semanas. Nesses casos, o quadro pode persistir por meses ou anos e exige avaliação médica para entender o tipo de urticária e orientar o tratamento mais adequado1,2.

A urticária crônica pode ser dividida ainda em dois tipos principais: induzida e espontânea1,2.

Urticária crônica induzida

Na urticária crônica induzida, os sintomas aparecem após estímulos definidos, como atrito na pele, frio, calor, pressão, água, vibração ou aumento da temperatura corporal, como ocorre durante a prática de exercício físico ou ao tomar um banho quente1.

Apesar dessa classificação, cada caso precisa ser avaliado individualmente. Isso porque a mesma lesão pode ter causas diferentes. Além disso, a urticária também pode estar associada a outras condições de saúde1.

Por isso, uma avaliação médica criteriosa é importante para diferenciar os quadros e indicar a melhor forma de tratar a urticária1.

Urticária crônica espontânea

Já a urticária crônica espontânea, também chamada de UCE, acontece quando as urticas e/ou o angioedema aparecem diariamente ou na maioria dos dias da semana por mais de seis semanas, sem que se identifique um fator externo responsável pelo quadro1.

Isso significa que, na UCE, as lesões não dependem necessariamente de contato com alimentos, medicamentos, calor, frio ou outros estímulos específicos para aparecer2.

Essa doença crônica pode ter grande impacto na qualidade de vida. A coceira intensa, o desconforto e a imprevisibilidade das crises podem interferir no sono, no trabalho, nos estudos, no lazer e até nas relações2.

Por isso, além de controlar as lesões, o cuidado com a urticária crônica espontânea deve considerar o paciente de forma ampla, incluindo os impactos físicos, emocionais e sociais da doença2.

De forma resumida, temos o seguinte cenário:

Tipo de Urticária Duração dos sintomas Principais causas / gatilhos Características marcantes
Urticária Aguda Até 6 semanas1,2 Infecções (virais/bacterianas), medicamentos, alimentos e picadas de insetos1,2. Início súbito; em até 50% dos casos a causa exata permanece desconhecida1.
Urticária Crônica Induzida Mais de 6 semanas1,2 Estímulos físicos específicos como frio, calor, atrito, pressão, água ou aumento da temperatura corporal1. As lesões e sintomas dependem obrigatoriamente de um gatilho externo definido1.
Urticária Crônica Espontânea (UCE) Mais de 6 semanas2 Não há um fator externo ou gatilho específico identificável2. Sintomas diários ou na maioria dos dias; forte impacto na qualidade de vida (sono, emocional, social)2.

 

Marcha atópica e urticária: existe ligação?

A marcha atópica é um conceito usado para explicar como algumas doenças alérgicas podem surgir ao longo da infância. Esse processo costuma ser descrito a partir da dermatite atópica, podendo se relacionar depois ao desenvolvimento de alergias alimentares, asma e rinite alérgica4.

Apesar de não ser uma etapa clássica dessa sequência, a urticária pode aparecer dentro do contexto das doenças atópicas. Isso porque a dermatite atópica pode estar associada à alergia alimentar, e a alergia alimentar pode se manifestar com urticária aguda em algumas pessoas4,5.

Além disso, estudos também apontam associação entre dermatite atópica e urticária crônica. Isso não significa que uma doença necessariamente cause a outra, mas mostra que elas podem coexistir em alguns pacientes5.

Por isso, quando uma pessoa apresenta urticária, especialmente se os episódios são recorrentes ou persistentes, conhecer o histórico de dermatite atópica, alergias alimentares, rinite e asma pode ajudar o profissional de saúde a entender melhor o perfil alérgico e inflamatório do paciente4,5.

Por que dermatite atópica, rinite e asma costumam estar relacionadas?

Dermatite atópica, rinite e asma costumam estar relacionadas porque fazem parte de um mesmo perfil de tendência alérgica, chamado atopia4.

Nesses casos, o organismo tem maior predisposição a desenvolver respostas inflamatórias diante de substâncias que, para outras pessoas, não causariam sintomas importantes4.

Quando a urticária merece avaliação médica?

Profissional de saúde examina com lupa as lesões no braço de um paciente, avaliando o quadro para definir como tratar a urticária.

 

A urticária merece avaliação médica quando as lesões são recorrentes, aparecem com frequência ou persistem por mais tempo1,2. Também é importante a intervenção de profissionais da saúde quando a condição, de alguma forma, prejudica a qualidade de vida do paciente.

Vale ressaltar que é importante o atendimento com urgência quando a urticária vem acompanhada de sinais mais graves, como inchaço importante no rosto, nos lábios ou na língua, chiado no peito, falta de ar, tontura ou queda de pressão1.

Como diagnosticar a urticária

A urticária costuma ser diagnosticada por meio de avaliação clínica. O médico deve analisar os sintomas, observar as lesões e conversar com o paciente para entender melhor o quadro1.

Algumas perguntas podem ajudar o profissional de saúde nesse momento:

  • Quando as lesões começaram?1
  • Há quanto tempo o paciente apresenta essas lesões?1
  • Elas mudam de lugar?1

O profissional também costuma observar se há outros sintomas associados, uso de medicamentos, alimentos consumidos recentemente, infecções recentes ou outros possíveis fatores desencadeantes1.

Como tratar urticária?

O tratamento da urticária deve ser individualizado, pois depende do tipo de urticária, da duração dos sintomas, da intensidade das crises, da presença de angioedema e dos possíveis fatores desencadeantes1,2.

Quando é possível identificar uma causa ou gatilho, como alimento, medicamento, infecção ou estímulo físico, uma das primeiras medidas é evitar ou afastar esse fator. No entanto, em muitos casos, principalmente na urticária crônica espontânea, nem sempre há um desencadeante claro1.

De modo geral, os anti-histamínicos, também conhecidos como antialérgicos, são os principais medicamentos usados para controlar os sintomas da urticária. Eles ajudam a bloquear a ação da histamina, uma das substâncias envolvidas na coceira, na vermelhidão e no inchaço1,2.

Em alguns casos, quando os sintomas são mais intensos ou há exacerbações importantes, o médico pode indicar corticosteroides por curto período1,2.

Esse tipo de medicamento não substitui o tratamento de base com anti-histamínicos e deve ser usado sempre com orientação e supervisão médica, pois o uso prolongado ou inadequado pode trazer riscos à saúde1,2.

Vale ressaltar que qualquer medicamento deve ser tomado sob indicação médica. É o profissional da saúde quem deve tirar dúvidas, avaliar os casos e indicar o melhor tratamento para urticária ou qualquer outra condição.

A pele com urticária pede atenção

Além do tratamento indicado, o médico pode sugerir cuidados simples com a pele no dia a dia, visando reduzir irritações e desconfortos associados à urticária3.

Entre eles, estão:

  • escolher roupas mais leves3;
  • evitar atrito excessivo na pele3;
  • não esfregar a toalha com força na pele depois do banho3.

 

A hidratação da pele também faz diferença e é um ponto a ser conversado com o paciente. Isso porque a pele ressecada tende a coçar mais, aumentando as chances de atrito e desconforto. Nesse sentido, o uso de hidratantes pode ajudar a manter a barreira da pele mais protegida e reduzir a vontade de coçar provocada pelo ressecamento3.

Alektos Derm: cuidado complementar para peles sensíveis e atópicas

O Alektos Derm é uma loção hidratante desenvolvida para o cuidado de peles atópicas, sensíveis ou ressecadas. Sua proposta é contribuir para a hidratação, proteção da pele e alívio da coceira associada ao ressecamento6.

A fórmula reúne ativos como vitamina E, extratos de origem natural, manteiga de karité, pós-biótico, glicerina e ceramidas. Esses componentes ajudam a manter a pele hidratada e protegida, favorecendo o cuidado diário da barreira cutânea6.

O dermocosmético tem toque seco, rápida absorção e é livre de fragrâncias, corantes e parabenos. Para melhores resultados, a loção deve ser aplicada sobre a pele limpa e seca, massageando suavemente até a absorção6.

Vale ressaltar que o Alektos Derm é um cuidado complementar para a pele e não substitui o tratamento medicamentoso que pode ser indicado pelo médico.

Perguntas frequentes sobre urticária

Veja as respostas para algumas dúvidas comuns sobre urticária, como duração dos sintomas, tipos da doença e sinais de alerta que merecem avaliação médica.

O que é urticária?

A urticária é uma reação inflamatória da pele caracterizada pelo surgimento repentino de lesões avermelhadas, elevadas e que coçam bastante. Essas lesões, chamadas urticas, podem aparecer em qualquer parte do corpo e geralmente desaparecem em até 24 horas, sem deixar marcas1,2.

Urticária é alergia?

A urticária pode ser causada por uma alergia, nem toda urticária é alérgica. Ela pode surgir por infecções, medicamentos, alimentos, picadas de insetos, calor, frio, pressão na pele. Por outro lado, pode estar associada com autoimunidade ou mesmo não ter uma causa aparente1,2.

Quanto tempo dura uma crise de urticária?

As lesões de urticária costumam ser passageiras e, em geral, desaparecem em até 24 horas. No entanto, novas lesões podem surgir em outras partes do corpo, fazendo com que a crise pareça durar mais tempo1,2.

Qual é a diferença entre urticária aguda e crônica?

A urticária aguda é aquela que dura até seis semanas. Já a urticária crônica acontece quando as lesões, o angioedema ou ambos aparecem diariamente ou quase todos os dias por mais de seis semanas1,2.

O que é urticária crônica espontânea?

A urticária crônica espontânea acontece quando as urticas e/ou o angioedema surgem por mais de seis semanas, sem que seja identificado um fator externo específico como causa. Nesses casos, as lesões podem aparecer mesmo sem contato evidente com alimentos, medicamentos, calor, frio ou outros estímulos1,2.

Urticária está relacionada à marcha atópica?

A urticária não é considerada uma etapa clássica da marcha atópica, que costuma envolver dermatite atópica, alergias alimentares, asma e rinite alérgica. Ainda assim, ela pode aparecer no contexto das doenças atópicas, já que a dermatite atópica pode se associar à alergia alimentar, que pode se manifestar com urticária aguda – e também há associação descrita entre dermatite atópica e urticária crônica4,5.

Qual é o CID de urticária?

Na Classificação Internacional de Doenças, conhecida como CID-10, a urticária aparece dentro do código L50. A classificação, o CID de urticária, varia de acordo com o tipo e fator desencadeante7.

A partir daqui, vamos abordar questões mais técnicas e diretamente voltadas para profissionais de saúde. Para saber mais sobre tratamento, medicamentos e condutas clínicas, faça o seu login.

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1 - Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI). Urticária em foco: conheça melhor essa doença. 1. ed. Recife: Mariola Comunicação, 2022. E-book. Disponível em: https://asbai.org.br/wp-content/uploads/2023/08/EBOOK-ASBAI-URTICARIA_30-09-2022.pdf. Acesso em: 26 jun. 2026.

2 - Ben-Shoshan M, Kanani A, Kalicinsky C, et al. Urticaria. Allergy, Asthma & Clinical Immunology, v. 20, Suppl. 3, n. 64, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1186/s13223-024-00931-6. Acesso em: 26 jun. 2026.

3 - Maurer M, Church MK, Gonçalo M, et al. Management and treatment of chronic urticaria (CU). Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, v. 29, Suppl. 3, p. 16–32, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1111/jdv.13198. Acesso em: 27 jun. 2026.

4 - Hill DA, Spergel JM. The Atopic March: Critical Evidence and Clinical Relevance. Annals of Allergy, Asthma & Immunology, v. 120, n. 2, p. 131–137, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.anai.2017.10.037. Acesso em: 26 jun. 2026.

5 - Davis DMR, Drucker AM, Alikhan A, et al. American Academy of Dermatology Guidelines: Awareness of comorbidities associated with atopic dermatitis in adults. Journal of the American Academy of Dermatology, v. 86, n. 6, p. 1336.e1–1336.e18, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jaad.2022.01.009. Acesso em: 26 jun. 2026.

6 – Alektos Derm [Rótulo]. Mantecorp Farmasa. Disponível em: https://www.mantecorpsaude.com.br/produtos/alektos-derm. Acesso em: 12 jul. 2026.

7 - DATASUS. CID-10: L50-L54 — Urticária e eritema. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. Disponível em: http://www2.datasus.gov.br/cid10/V2008/WebHelp/l50_l54.htm. Acesso em: 28 jun. 2026.

8 - Alektos®: bilastina 20 mg. Comprimidos. [Bula para o profissional da saúde]. Medicamento sob prescrição. Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A., 2026.

9 - Celestamine®: maleato de dexclorfeniramina + betametasona. Comprimidos, xarope e solução em gotas [Bula para o profissional de saúde]. Medicamento sob prescrição. Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A., 2025.

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